Viagens no Brasil: Avião supera ônibus como principal meio de transporte
Pesquisa do IBGE mostra que o avião é a segunda opção mais usada, impulsionado por viagens a trabalho, mesmo com passagens mais caras

BELÉM (PA) – Uma mudança histórica no turismo doméstico brasileiro foi registrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Turismo 2024, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo IBGE: o avião ultrapassou o ônibus e se tornou o segundo meio de transporte mais utilizado em viagens. Essa nova dinâmica é impulsionada, principalmente, pelo aumento das viagens a trabalho.
Embora o carro particular continue na liderança, com 50,7% do total de viagens, o avião agora ocupa a segunda posição, com 14,7%, à frente do ônibus, que representa 11,9%. Quando o recorte da pesquisa se restringe a viagens de negócios, a diferença é ainda maior: o avião é a escolha de 28,8% dos viajantes, contra 11% que utilizam o ônibus.
Por que a mudança?
O analista do IBGE, William Kratochwill, aponta o aumento da renda das famílias como um dos fatores que contribuíram para essa mudança de comportamento. Mesmo com o custo mais elevado das passagens aéreas, os brasileiros estão dispostos a investir para economizar tempo, especialmente em longas distâncias.
A escolha do avião como principal meio de transporte coletivo nas viagens pelo Brasil está ligada a um conjunto de fatores. O primeiro é o crescimento da renda média do trabalho em 2024, que avançou 4,7% segundo o IBGE. Esse movimento permitiu que mais famílias optassem pelo transporte aéreo, especialmente em viagens de negócios ou lazer de maior distância.
Outro elemento é o próprio perfil das viagens. Em 2024, aumentou a proporção de deslocamentos a trabalho, que representaram 28,8% do total. Esse tipo de viagem tende a privilegiar o avião, pela rapidez e pela necessidade de otimizar o tempo. No lazer, embora o carro siga predominante, o avião também ganhou espaço diante da busca por destinos mais distantes, incluindo o crescimento do turismo cultural e gastronômico, em ascensão em várias regiões do país.
Há ainda a questão dos custos. Apesar da alta de 11,7% nos gastos totais com turismo em 2024, o avião tornou-se mais atrativo em relação ao ônibus em percursos de longa distância, oferecendo economia de tempo e maior comodidade.
