Trilha Amazônia Atlântica: Pará terá o maior percurso sinalizado da América Latina
Rota de 468 km conecta áreas protegidas, comunidades tradicionais e territórios quilombolas entre Belém e Viseu, reforçando o ecoturismo e a conservação como estratégias contra a crise climática

BELÉM (PA) – A Amazônia ganhará a maior trilha estruturada e continuamente sinalizada da América Latina. A Trilha Amazônia Atlântica, com 468 quilômetros de extensão, será oficialmente inaugurada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em novembro, em Belém. O trajeto liga a capital paraense à Serra do Piriá, em Viseu, na divisa com o Maranhão, atravessando 13 áreas protegidas, entre elas sete unidades de conservação e seis territórios quilombolas.
Projetada para ser percorrida tanto a pé quanto de bicicleta, a trilha busca aliar conservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento econômico sustentável, colocando o Pará em evidência como vitrine mundial de ecoturismo e bioeconomia durante o maior evento climático do planeta.
Ecoturismo como aliado climático
A iniciativa surge em um momento estratégico, em que a Amazônia ocupa o centro do debate internacional sobre mudanças climáticas. Ao promover o turismo de base comunitária e a geração de renda local, a trilha pretende mostrar que é possível conservar a floresta ao mesmo tempo em que se criam oportunidades para populações tradicionais.
“Esse é um projeto que integra meio ambiente, cultura e economia. Queremos transformar a Amazônia em destino de referência mundial no turismo sustentável”, destacou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima em nota oficial.
Uma construção coletiva
A implantação da rota é resultado de uma ampla rede de colaboração que envolve comunidades tradicionais, voluntários, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Ministério do Turismo, a Embratur, o ICMBio, o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (IDEFLOR-Bio) e a Conservação Internacional (CI).
A sinalização seguirá o padrão de pegadas amarelas e pretas da Rede Brasileira de Trilhas, além de contar com site e aplicativo que oferecem informações sobre os trechos, mapas, segurança e contatos de apoio. O portal também lista opções de hospedagem, alimentação e serviços oferecidos por pequenos empresários e comunitários ao longo do percurso, incentivando o consumo local.
Um legado além da COP30
Com a inauguração da Trilha Amazônia Atlântica, o Pará não apenas reforça seu protagonismo na pauta ambiental global, mas também deixa um legado duradouro para a região. A expectativa é que a rota se torne referência internacional, atraindo turistas, pesquisadores e aventureiros, além de gerar benefícios diretos para centenas de famílias que vivem em seu entorno.
