Margem Equatorial: Petrobras inicia perfuração com potencial de 10 bilhões de barris e futuro da exploração gera debate
Líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, defende que royalties da Margem Equatorial sejam destinados a projetos de preservação e desenvolvimento da Amazônia

BELÉM (PA) – A Petrobras informou que deu início, na segunda-feira (20), à perfuração do primeiro poço na bacia da Foz do Amazonas, horas após a emissão da licença pelo Ibama. A operação começou a cerca de 170 quilômetros da costa do Amapá.
O início da exploração na Margem Equatorial brasileira ganha contornos de grande relevância econômica e ambiental. Estimativas do Ministério de Minas e Energia indicam que a bacia da Foz do Amazonas pode ter cerca de 10 bilhões de barris de petróleo, um volume próximo às reservas exploráveis do pré-sal (cerca de 12 bilhões de barris).
O avanço na Margem Equatorial é considerado crucial, pois a produção de petróleo no Brasil deve começar a declinar a partir de 2031, com o esgotamento gradual das atuais reservas do pré-sal.
Royalties para a Amazônia
Diante da expectativa de extração, o debate sobre o uso dos recursos gerados pela exploração ganha força. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que defenderá junto ao presidente Lula a aprovação de um projeto de lei que destina parte dos royalties do petróleo da Margem Equatorial para a região amazônica.
“Eu acho que é um projeto bem simpático ao governo, sobretudo agora que o processo avança. Dialoga completamente com a agenda ambiental do governo”, disse Randolfe à CNN Brasil.
O projeto, de autoria do próprio senador, propõe que “a quinta parte das receitas governamentais do petróleo destinadas à União serão investidas no desenvolvimento de projetos para preservação da Floresta Amazônica e defesa das tradições e ambientes dos povos originários.” O texto também prevê recursos para “integração logística e exploração sustentável dos recursos naturais”.
A proposta, que está parada na Comissão de Meio Ambiente do Senado desde 2024, deve ganhar urgência com o início da perfuração.
Próximos passos
Apesar do início da perfuração, o tempo para a exploração comercial é longo. Os próximos passos envolvem a verificação da existência de petróleo e de sua viabilidade comercial. Especialistas estimam que, após a confirmação das reservas, a produção e o consequente retorno financeiro podem demorar cerca de cinco anos para começar a aparecer.
