COP30 Encerra 1ª Semana com foco em finanças éticas e Marcha por Justiça Climática

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O Dia 6 destacou a urgência de destravar US$ 1,3 trilhão em financiamento sustentável, enquanto milhares de pessoas saíram às ruas de Belém para exigir ação climática. A programação oficial será retomada hoje, segunda-feira (17)

BELÉM (PA) – A primeira semana da COP30 foi concluída no sábado (15), Dia 6, com as discussões concentradas na construção das bases financeiras e éticas para uma transição justa. O dia evidenciou que a aceleração da ação climática depende do alinhamento entre sistemas financeiros, padrões éticos e o engajamento direto das comunidades.

O debate central girou em torno do financiamento climático. Proprietários de ativos que representam quase USD 10 trilhões se reuniram para operacionalizar o Roteiro de Baku a Belém, que prevê a mobilização de USD 1,3 trilhão anuais para o clima.


Avanços em Finanças Sustentáveis

Líderes de finanças e governos avançaram em mecanismos para direcionar capital a países em desenvolvimento (EMDEs) e setores de difícil descarbonização:

  • Princípios para Interoperabilidade de Taxonomias: Foram lançados os princípios para avançar na padronização global das taxonomias de finanças sustentáveis. A iniciativa, que envolve o SB COP e ministérios da Fazenda, é um passo crucial para mobilizar o capital em escala.
  • Taxas de Solidariedade: Foi reforçado o impulso global por taxas de solidariedade (como a taxa para Passageiros Frequentes Premium) em setores emissores e sub-tributados (aviação, transporte marítimo e transações financeiras). A coalizão, que agora inclui o Brasil como observador, busca gerar financiamento previsível e que não gere dívida para adaptação e perdas e danos.
  • Plataformas de Países: O Brasil e o Fundo Verde para o Clima (GCF) anunciaram 14 novas Plataformas de Países e um Hub de Plataformas de Países. Essa estrutura visa alinhar o apoio global às prioridades climáticas nacionais, garantindo que os investimentos atendam às necessidades locais em vez de duplicar esforços.
  • Custo da Inação: A Rede de Bancos Centrais e Supervisores para o Ecologização do Sistema Financeiro (NGFS) alertou na Declaração sobre o Custo Econômico da Inação Climática que os impactos climáticos representam ameaças iminentes à estabilidade financeira e macroeconômica.

Marcha Mundial e Vozes da Amazônia

Enquanto as negociações financeiras ocorriam na Zona Azul, milhares de pessoas se reuniram nas ruas de Belém na Marcha Mundial pelo Clima. O evento, organizado pela Cúpula dos Povos, reuniu povos indígenas, jovens, movimentos sociais e comunidades tradicionais, pedindo justiça climática, proteção de territórios e ações governamentais mais fortes.

Na Zona Azul, líderes indígenas, como o Cacique Raoni, reforçaram o pedido de que as negociações climáticas se traduzam em proteção real das florestas em pé e no reconhecimento da liderança indígena, denunciando o descompasso entre as salas de negociação e as realidades enfrentadas por quem vive e protege a Amazônia.


A primeira semana da COP30 foi marcada pela transição da ambição para a implementação. Os trabalhos da conferência foram pausados no domingo e serão retomados hoje, segunda-feira (17), quando se iniciam as negociações de alto nível.

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