COP30: Indústria, Energia e Finanças rumo à Descarbonização com US$ 150 Bilhões em Investimentos em Redes

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O Dia 5 da Conferência foca na transformação sistêmica e lança a Declaração de Belém sobre Industrialização Verde Global, comprometendo 70% da produção mundial de aço com novos padrões

BELÉM (PA) – A sexta-feira, Dia 5 da COP30, foi marcada por um avanço na agenda de implementação da transição energética e industrial. O dia converteu ambições em compromissos de investimento e planos de ação para a descarbonização de setores de difícil mitigação, como aviação, transporte marítimo e indústria pesada.

O tema central do dia foi a união de governos, indústria e setor financeiro para acelerar a transição por meio de energia, indústria e finanças.


Industrialização e Energia: Quatro Vezes Mais Sustentável

A industrialização verde e o setor de energia receberam destaque com anúncios estratégicos:

  • Industrialização Verde Global: Ministros de mais de 30 países, incluindo Brasil, Alemanha e África do Sul, adotaram a Declaração de Belém sobre Industrialização Verde Global. O documento estabelece um arcabouço para acelerar a manufatura de baixo carbono, a transferência de tecnologia e a cooperação Sul-Sul.
  • Padrões de Aço: A indústria global do aço criou padrões comuns de interoperabilidade que agora cobrem 70% da produção mundial, estabelecendo as bases para um mercado global de aço de baixas emissões e quase zero.
  • Investimento em Redes Elétricas: A Utilities for Net Zero Alliance (UNEZA) anunciou um aumento em seus planos anuais de investimento, comprometendo quase USD 150 bilhões por ano (acima dos USD 117 bilhões anteriores). O valor será destinado a redes elétricas e armazenamento, visando triplicar a capacidade renovável coletiva até 2030.
  • Combustíveis Sustentáveis (Compromisso 4X): O Plano de Ação de Combustíveis do Futuro do Clean Energy Ministerial foi endossado por 23 países, incluindo o Brasil, para quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035 em setores como aviação, transporte marítimo e cimento. A Maersk, gigante do transporte marítimo, anunciou planos para operar 41 navios movidos a metanol até 2027.
  • SAF na América Latina: Seis grandes grupos que representam a cadeia de valor agrícola, produtores de biocombustíveis e companhias aéreas assinaram uma declaração conjunta para impulsionar a produção e o uso de Combustíveis Sustentáveis para Aviação (SAF) em toda a América Latina.

Transição de Fósseis e Equidade Social

O impulso para o abandono dos combustíveis fósseis continuou, com coalizões apresentando roteiros concretos, além de iniciativas para a inclusão social na transição:

  • Carvão e Gás: A Powering Past Coal Alliance (PPCA) e a Beyond Oil & Gas Alliance (BOGA) apresentaram planos práticos para apoiar países na transição e no declínio administrado da produção de petróleo e gás.
  • Financiamento de Energia Limpa: Membros da Clean Energy Transition Partnership (CETP) reduziram o financiamento público internacional para combustíveis fósseis em até 75% desde 2021, enquanto o financiamento para energia limpa no exterior cresceu 77% no mesmo período. Globalmente, aproximadamente USD 2,2 trilhões devem ser direcionados para energia limpa este ano, o dobro do investimento em fósseis.
  • Justiça Racial e Social: No Círculo dos Povos, a Campeã Jovem do Clima, Marcele Oliveira, liderou um evento sobre “Juventude na Luta Contra o Racismo Ambiental”. O diálogo com ministras e jovens de comunidades quilombolas e indígenas destacou que as transições climáticas justas devem incorporar as realidades vividas em territórios vulneráveis e a necessidade de equidade racial nas políticas climáticas.
  • Eficiência e Transporte: Ministros de dez países, incluindo o Brasil, lançaram uma declaração para alinhar o setor de transporte à meta de 1,5°C, visando reduzir em 25% a demanda total de energia e transferir um terço para biocombustíveis sustentáveis até 2035.

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