De Belém para o mundo: Líderes da COP30 encerram Cúpula com apelo à “COP da Verdade” e R$ 22,2 bilhões para Fundo Florestal

0

O Amazônia International Business (AIB), veículo credenciado na Blue Zone, reporta os destaques dos dois dias de cúpula, marcada por compromisso financeiro inédito e foco na agenda social

BELÉM (PA) – A Cúpula de Líderes da COP30 foi concluída nesta sexta-feira (7), com o Brasil emergindo como protagonista de iniciativas globais. O encontro foi marcado por um forte apelo à coragem política e pelo lançamento de mecanismos financeiros robustos, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que atraiu bilhões em compromissos internacionais.

Dia 1: Lula pede coragem e anuncia Fundo Bilionário

A abertura da cúpula, na quinta-feira, foi marcada pelo discurso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que convocou a COP30 a ser a “COP da verdade”. Lula lembrou o retorno simbólico da conferência ao Brasil após a Cúpula da Terra, em 1992, e instou os delegados a agirem com transparência, acatando os alertas científicos e convertendo palavras em mudanças duradouras.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF):

A principal iniciativa brasileira, o TFFF, foi anunciada como totalmente operacional e obteve apoio substancial:

  • Noruega: A maior contribuição, com um compromisso de USD 3 bilhões (cerca de R$ 14,8 bilhões).
  • Indonésia e Brasil: Comprometimento de USD 1 bilhão cada (total de R$ 9,8 bilhões).
  • França: Compromisso de EUR 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões).

Ao todo, a iniciativa já soma mais de R$ 27,3 bilhões (considerando câmbio aproximado) em apoio e conta com o endosso de 53 países. Lula enfatizou que é a primeira vez que os países do Sul Global terão protagonismo na agenda florestal, destacando o TFFF como uma iniciativa “sem precedentes”.

Dia 2: Foco na Adaptação e Resiliência

O segundo dia da cúpula reforçou o elo entre a crise climática e as desigualdades sociais.

Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática:

Líderes de 43 países e da União Europeia assinaram a Declaração de Belém, que coloca as pessoas mais vulneráveis no centro da ação climática. O documento alerta que os efeitos das mudanças climáticas, como a degradação ambiental, já estão agravando a fome, a pobreza e a insegurança alimentar.

A declaração recomenda:

  • Maior prioridade à adaptação em relação à mitigação.
  • Foco do financiamento climático em projetos que gerem empregos e meios de subsistência para agricultores familiares e povos da floresta.
  • Objetivos mensuráveis, como o aumento de 2% ao ano na proteção social dos países signatários.

Apelo à Ação para o Manejo Integrado do Fogo:

Mais de 40 países endossaram uma declaração que eleva o Manejo Integrado do Fogo a uma prioridade global. O apelo exige uma transição do combate reativo para estratégias preventivas, baseadas em evidências científicas e na liderança indígena. O documento vincula a resiliência de longo prazo aos incêndios a mecanismos de financiamento sustentável, como o recém-lançado TFFF.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *